insônia e nicotina

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 quem eu sou?

me pergunto numa segunda-feira à noite.

depois de provar e espalhar uma pilha inteira de roupas no chão.

tem uma lata de cerveja vazia em cima da pia. e também dois pratos sujos: um do jantar, o outro da sobremesa.

minha kitchenette permeia na fumaça do cigarro enquanto eu fico pensando, deitada no escuro.

tudo aqui fede a cigarro.

eu tento disfarçar jogando sprays mas o cheiro do tabaco está impregnado em todo canto.

eu não consigo dormir.

não acho que eu esteja deprimida hoje, hoje não.

mas não tomei meu antidepressivo porque acabou e não tive como comprar.

eu só não consigo dormir por hoje.

na escrivaninha, o notebook apagado e semiaberto. algumas anotações estão espalhadas e minhas canetas disputam espaço no organizador.

tirei meu robe cor de rosa e fui dormir apenas com a roupa íntima. está muito quente. eu odeio calor.

meus bichos de pelúcia estão espalhados pelo espaço vazio da cama, e eu, espalhada de mal jeito no canto esquerdo.

minha cabeça repousa sobre dois travesseiros altos e macios, alguns fios da minha franja grudando na testa pelo suor.

mas não tiro o cobertor. não durmo sem cobertor.

não sei o que eu sou. mas é assim que eu posso me ver por hoje. uma bagunça singular onde tudo tem meu cheiro impregnado, como o tabaco.

amanhã vou acordar cedo e organizar.

faculdade, lockdown, terapia.

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(três semanas atrás)

e lá vamos nós mais uma vez.

Hoje passei o dia todo muito deprimida. No domingo saiu a notícia do decreto de lockdown aqui no meu estado (ES) e, ok, mesmo sabendo que é necessário, eu fiquei arrasada.

Primeiro porque minha mãe é pequena comerciante e não essencial -então já estamos preocupados com as contas da casa-, e segundo porque as aulas presenciais estavam literalmente salvando o meu psicológico ocupando meu tempo de uma forma muito gostosa (e cansativa).
Ano passado foi um dos piores anos da minha vida. Eu perdi as contas de quantos dias passei sem mal levantar da cama, chorando, e me sentindo total e desesperadoramente sozinha. Além do fato de que eu não consegui estudar NADA, tendo que mudar todos os meu planos de vida até então.

atualizações

9 comentários: | |
Oi! Resolvi dar uma passadinha aqui pra conversar um pouquinho. Eu acho muito engraçado como eu passo um tempão sem postar nada e então subitamente apareço com uma enxurrada de posts. Acho que é da minha personalidade, isso. Sou meio exagerada.
De qualquer forma, vocês devem ter percebido que eu mudei o nome do blog. Eu já queria fazer isso há tempos! Komorebi é uma expressão japonesa que define as luzes dos raios solares que entram no meio das folhagens das árvores. Eu vi essa palavra em algum lugar um bom tempo atrás e desde então ficou na minha mente, acho o significado bem bonito e expressa bem o conforto que esse blog significa pra mim. Vou continuar mantendo a mesma URL porque ela é fácil de lembrar e não quero que ninguém pense que eu apaguei o blog.
Enfim, é sábado à noite, está chovendo e eu estou aqui, debaixo de uma manta de microfibra, usando uma camisola com estampa de ovehinhas, depois de comer uma cumbuca de miojo sabor tomate suave - sim, o da turma da mônica aka o melhor sabor de miojo-.
Espero aparecer aqui com mais frequência esse ano, é muito importante pra mim escrever sobre o que eu sinto e produzir alguma coisa que não seja por obrigação, sabe. 
Aliás, me desculpem se às vezes eu demorar pra responder os comentários ou não responder realmente à altura, é que eu ando tão enferrujada socialmente e vocês são TÃO queridos que eu travo e fico sem saber o que dizer. Mas saibam que cada comentário deixa meu coração muito quentinho e eu sou muito muito grata!
Acho que não tenho mais nada a compartilhar por hoje.
Em breve vejo vocês aqui <3
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